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A (falta de) confiança nos conteúdos – e minha abordagem pra mudar isso.

Design sem nome (7)

A (falta de) confiança nos conteúdos – e minha abordagem pra mudar isso.

A gente vive hoje uma crise sistêmica de confiança. E nem percebeu o quanto isso virou rotina, mas duvidar é quase um reflexo automático nosso.

A gente duvida do que lê, do que assiste, do que recebe no e-mail ou no whatsapp. A gente vive tendo que fazer um filtro entre o que nos dizem e o que a gente pode confiar ou merece nossa atenção. E claro, isso não vem do nada.

Vem de um acúmulo de promessas não cumpridas das marcas, de campanhas lindas mas que entregam pouco na prática, de experiências que dizem ser personalizadas, mas soam automações genéricas, de um monte de IA potente que é mal utilizada… Vem da distância entre o discurso e a prática.

A confiança foi se desgastando aos pouquinhos ao longo do tempo. E, quando a gente viu, até os conteúdos mais bem intencionados viraram só mais uma notificação que a gente ignora. =/

Ok. Mas se a confiança tá em xeque, como é que a gente volta a fazer conteúdos que as pessoas confiam?

Mesmo sabendo que tá todo mundo saturado de tanta coisa pra consumir durante o dia, as empresas continuam jogando um volume imenso de conteúdos que não conectam em nada com a gente. Eu sinto isso, e você também.

Prova disso é que hoje, 95% dos conteúdos não geram conexão com as pessoas (esse dado alarmante é de um estudo feito pelo próprio Linkedin).

Pra mim, a razão pra isso acontecer está na forma mecânica e linear como a gente ainda enxerga a produção de conteúdos. Geralmente o processo que a gente vislumbra é assim:

Vou subir um conteúdo topo de funil -> a pessoa vai amar e escorregar pro meio de funil -> e puff: conversão no fundo de funil.

Previsível. Estático. Fácil.

Só que essa visão engessada de funil não funciona mais, porque a verdade é que as pessoas não se movem em linha reta – e o conteúdo também não deveria.

A jornada real é feita de desvios, pausas, voltas, incertezas, emoções e reconexões. A gente pensa, repensa, esquece, lembra, tem um insight, volta pro início… tudo isso antes de decidir alguma coisa.

E é exatamente por isso que a gente precisa mudar a lógica de como fazer a estratégia: sair do modelo de funil e pensar a partir das jornadas.

É aí que entra o Journey-Led Content: minha abordagem de pensar conteúdo não como peça isolada, mas como parte de um sistema vivo, que acompanha a jornada das pessoas com consistência, contexto e intenção.

É sobre criar conteúdos que respeitam o tempo de quem lê. Que respondem perguntas reais. Que chegam na hora certa, com o tom certo, sem pressa de converter, mas com pressa de entregar valor de verdade.

E o que muda quando a gente deixa de olhar pra conteúdo como topo, meio de fundo de funil e começa a enxergar como parte viva da jornada do cliente?

Na prática, isso significa enxergar o que o funil tradicional muitas vezes esconde: os desvios, as pausas, os sinais sutis que indicam o que realmente importa pra quem tá do outro lado.

Pensar pela lógica de jornada nos dá mais ferramentas pra garantir que a gente esteja, de fato, entregando valor – com o conteúdo certo, no momento certo, do jeito certo.

E é exatamente essa virada de chave que o meu modelo de Journey-Led Content propõe:

Conteúdo do artigo
Comparativo entre estratégia de conteúdo tradicional e journey-led-content.

Ele se apoia em 6 premissas que, juntas, transformam a forma como planejamos, criamos e medimos conteúdo.

E como boa apaixonada por desenhar tudo, é claro que eu dei um jeito de organizar essas premissas em um framework pra facilitar a aplicação na prática. Vem comigo que eu te explido:

Conteúdo do artigo
Meu framework de Journey-Led-Content.

1. [Jornada do cliente] a Jornada é a origem do conteúdo – e não o contrário

Aqui, diferente do funil linear e estático da empresa, a jornada do cliente deixa de ser imposta para ser a origem e bússola viva de toda a estratégia de conteúdo. Esse é o ponto de partida onde a gente estrutura quem é nosso ICP, personas, quais são as dores, necessidades e desejos e quais são as jornada prioritárias. A jornada é a base de toda a estratégia e execução, que começa a partir da perspectiva do cliente. (estou devendo um curso só sobre Gestão por Jornadas, mas enquanto eu não faço, tem um spoiler maior disso nessa palestra minha no TDC!). Mas, basicamente, precisamos nesse momento responder a essas perguntas:

>> Quem é o perfil de cliente ideal e as personas-foco impactadas?

>> Qual/como é a jornada que o conteúdo vai priorizar? Quais são os momentos-chave dessa jornada?

>> Quais são os objetivos, necessidades, ações, dúvidas e dores do cliente ao longo da jornada?

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Carinha de uma jornada de clientes que realmente guia a estratégia de conteúdo.

2. [Sinais de contexto] A mensagem certa depende do momento, do jeito e do lugar certo.

Conhecendo profundamente os clientes, o foco agora é captar sinais de emoção, intenção e contexto ao longo da jornada. Afinal, a mensagem certa no momento errado soa mais como intrusão do que conexão, né? Pra isso, a gente precisa olhar pra jornada e refletir quais são os “momentos da verdade”, aqueles onde a gente consegue entender as emoções e a intenções das pessoas. Hoje em dia, há ferramentas de sobra que nos ajudam a captar e atuar a partir desses sinais de contexto, mas essas ferramentas só são úteis quando mapeamos primeiro esses sinais na jornada a partir da perspectiva dos clientes (e não das fontes da minha cabeça):

>> Quais são os “momentos da verdade” da jornada?

>> Que sinais (comportamentais, emocionais, contextuais) indicam o momento, a intenção e as emoções dos clientes nessa jornada?

>> Que critérios de contexto podem ser usados como segmentação no conteúdo?

Conteúdo do artigo
Na prática, a jornada nos ajuda a identificar (e organizar) os sinais que importam.

3. [Mapa de ecossistema]: Compreender e se conectar com o ecossistema dos seus clientes.

Entre nossa empresa e clientes, existe um ecossistema de parceiros, comunidades, canais e fornecedores que também podem ter objetivos em comum com a gente. Uma jornada de conteúdo relevante aproveita e se entrelaça a essa rede de influência pra gerar ainda mais valor pras pessoas. Nesse momento, é hora de entender quais dessas entidades podem ser parceiras na estratégia de conteúdo, começando por:

>> Que organizações fazem parte da jornada dos clientes (eventos, comunidades, parceiros, canais, influenciadores…)?

>> Que tipo de conteúdo circula nesses espaços?

>> Quais dessas organizações podem ser parceirasna estratégia de conteúdo?

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Potenciais parceiros no ecossistema entre você e seus clientes.

4. [Blueprint interna]: Experiência de conteúdo integrada começa nos bastidores.

Não é só pra fora que a gente precisa mudar o jeito de pensar. Não tem muito milagre: não tem como entregar uma jornada fluida, conectada e consistente se, internamente, tá tudo rígido, desconectado e inconsistente. Uma estratégia de conteúdo integrada precisa começar nos bastidores, integrar pessoas, processos, canais e times ao redor do que o cliente vive – e não só do que a empresa deseja. Aqui, a reflexão é em torno de como asseguramos essa conexão internamente para que ela reflita externamente:

>> Como cada time se conecta à jornada? Como cada time utiliza conteúdos nessa conexão?

>> Quais processos e rituais fortalecem a conexão entre times e a consistência dos conteúdos ao longo da jornada?

>> Quais recursos e ferramentas são necessários ? Quais dados são medidos?

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A jornada do cliente direciona a blueprint de serviço do marketing de conteúdo.

5. [Blueprint de conteúdo]: Orquestrando os nós de uma rede conectada à jornada do cliente.

E então, a gente orquestra a produção de conteúdos de forma conectada com a jornada do cliente. Ao invés de entregas isoladas ou de sequências estáticas, a jornada de conteúdo se torna uma rede viva, entrelaçada à jornada funcional e emocional do cliente. É só aqui que a gente pensa no tipo, formato e mensagem que queremos transmitir de forma consistente na jornada e como cada conteúdo atua como nó em uma rede interconectada.

>> Que tipo de conteúdo é necessário em cada momento da jornada?

>> Como garantimos a conexão entre conteúdos ao longo da jornada do cliente?

>> Quais são as principais mensagens que queremos transmitir de forma consistente na jornada?

Importante ressaltar: aqui, não é sobre produzir tudo de uma vez, mas sim de produzir hubs/jornadas de conteúdo em ciclos, cada hub se conectando com o outro a cada ciclo.

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Ciclo de estratégia, criação e melhoria de jornadas de conteúdo.

6. [Gestão da confiança]: Não basta medir cliques. É preciso construir e renovar a confiança.

Por fim, a gente entender se as pessoas estão confiando no que estamos entregando. Mas pra isso não basta medir cliques: é preciso ir além e entender quais são os indicadores de confiança (percebida, mantida ou abalada) que fazem sentido pro nosso negócio e como vamos medir isso. É pensar, por meio deles, como garantimos a melhoria contínua dos conteúdos e da entrega de valor real.

>> Como traduzimos os elementos de confiança (Intenção, Valor, Contexto, Consistência) por meio do conteúdo?

>> Quais são os Indicadores de Confiança (percebida, mantida ou abalada)? Como medimos?

>> Como garantimos melhoria contínua dos nossos conteúdos? Quais são as principais oportunidades a serem trabalhadas?

Conteúdo do artigo
Possíveis indicadores de confiança para medir e melhorar a partir do conteúdo.

É claro que eu sei que transformação de verdade não acontece só com uma leitura de 10 min ou com um framework bonito no papel. Mas minha intenção aqui é outra: plantar uma sementinha. Inspirar novas formas de pensar, provocar olhares mais atentos pra como a gente se conecta com as pessoas por meio do conteúdo – idealmente orientado pela jornada 😉

Conteúdo do artigo
Imagine que bom seria se alinhássemos sempre a nossa estratégia e operação a partir da jornada do cliente?

Se esse assunto ressoou aí e você quiser se aprofundar na minha abordagem Journey-Led Content, me escreve por aqui que eu compartilho um material mais completo.

Vai ser um prazer continuar essa conversa com quem também acredita que conteúdo pode (e deve) ser ferramenta de confiança 🙂

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